
1 - Identificação do Curso
Curso: Extensão em Bíblia
Participantes: Presbíteros
Local: Casa de Retiros em Passo Fundo(Arquidiocese de Passo Fundo)
Custo de Hospedagem: 3 diárias R$ 180,00. Rua Pe. Nóbrega, 486 - Bairro Lucas Araújo, Passo Fundo, fone 3312 1433.
Execução do Curso: Faculdade de Teologia e Ciências Humanas – Itepa Faculdades
Parceria: Coordenadores Diocesanos de Pastoral, do Regional Sul III, da CNBB – Ecodipa
Período de realização: maio a setembro de 2012
Etapas: cinco etapas: 21-24 de maio, 18-21 de junho, 23-26 de julho, 13-16 de agosto, 17-20 setembro (início às 20hs e término às 12hs).
Certificado: totalizando 120 h/a
Custo do Curso: R$ 100,00 por etapa
Vagas: 25 para acontecer o curso até 45.
Coordenação geral: Pe. Cleocir Bonetti
Divulgação: Ecodipa
2 – Justificativa
A Equipe dos Coordenadores de Pastoral das Arquidioceses e Dioceses, do Regional Sul III da CNBB – Ecodipa - solicitaram ao Itepa um estudo bíblico com o objetivo de contribuir com a formação permanente dos presbíteros. A Palavra de Deus é a chama que faz “arder” e anima a ação evangelizadora dos discípulos missionários em todos os tempos (Lc 24,32).
O Documento 93, da CNBB, que trata das Diretrizes para a formação dos presbíteros da Igreja do Brasil, destaca a importância de dar continuidade à formação dos presbíteros após a ordenação. Retomando os propósitos do Concílio Vaticano II, do Documento de Aparecida, bem como de outros documentos da Igreja, os bispos do Brasil salientam que “o imperativo da formação permanente, cuja motivação original é o crescimento da pessoa e o dinamismo evangelizador, se acentua pela complexidade e diversificação social, cultural e técnico-científica” (DFPIB 356).
Um dos métodos privilegiados para o aprofundamento bíblico é a Lectio Divina. Esta nos ajuda a crescer no conhecimento do mistério de Cristo, na comunhão com ele e no testemunho dele no mundo (DAp 249). A expressão Lectio Divina foi idealizada por Orígenes. Este teólogo da Igreja nascente dizia que a leitura da Bíblia, realizada com proveito, precisa de duas coisas: esforço humano e oração.[1] Mais tarde, no século XII, um monge chamado Guigo, sistematizou este método em quatro passos: leitura, meditação, oração e contemplação.
O Sínodo sobre a Palavra de Deus, de 2008, lançou um desafio para todos os agentes de pastoral e comunidades eclesiais “a um esforço pastoral particular para que a palavra de Deus apareça em lugar central na vida da Igreja, recomendando que ‘se incremente a pastoral bíblica, não em justaposição com outras formas da pastoral, mas como animação bíblica da pastoral inteira’” (VD, 73). A Bíblia, nesta perspectiva, deve perpassar todas as pastorais, movimentos, grupos, institutos e demais iniciativas da Igreja (VD 76). A palavra de Deus, além de ser “alma da teologia” (DV 24), passa a ser a “alma da ação evangelizadora da Igreja” (DAp 248).
Neste momento da nossa história, em meio a tantos percalços, falhas e dificuldades e numa situação de crescente pluralismo religioso, com tantos fiéis questionando seriamente o fato de serem católicos de nome, Deus nos dá a graça de suscitar em nosso povo grande fome e sede da Palavra, grande procura e desejo de conhecer, viver e anunciar a mensagem da Sagrada Escritura. Esse kairós de encantamento pela Palavra é, com certeza, um apelo para que, em nossa dioceses, paróquias e comunidades, se continue não apenas a oferecer e facilitar o acesso à Bíblia, ao estudo bíblico e à vivência da mensagem revelada, mas a fazer a Palavra de Deus incidir de modo realmente transformador na vida e missão das pessoas, da Igreja e da sociedade[2].
3 – Objetivo
Oferecer condições para que os presbíteros revisitem alguns textos bíblicos, principalmente, do Novo Testamento, utilizando o método da Leitura Orante da Bíblia para assumirem, efetivamente, a palavra de Deus como alma de toda a ação evangelizadora da Igreja.
4 – Conteúdos das Etapas
4.1 – Leitura orante da Bíblia utilizando os Salmos (D. Jacinto)
4.2 – Evangelho de Marcos (Pe. Ivanir)
4.3 – Evangelho de João (Ir. Lúcia)
4.4 – Cartas Paulinas da primeira geração (Pe. Ademir)
4.5 – Partilha de práticas da Bíblia como alma da pastoral (Pe. Cleocir) e Apocalipse (Pe. Nelson).
5 – Tarefas e Exigências
5.1 – Leitura dos textos bíblicos.
5.2 – Elaboração de relatório de uma prática pastoral salientando o uso da Bíblia no espírito de introduzir e dinamizar na Igreja a verdadeira “animação bíblica da pastoral”.
5.3 – Para obter o certificado é necessário a frequência e apresentação do relatório.
6 – Referência Bibliográfica
BENTO XVI. Verbum Domin: a palavraz de Deus na vida e missão da Igreja. Brasília: CNBB, 2010.
CELAM. Documento de AparecidaI: texto conclusivo da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe. São Paulo: Paulus/Paulinas; Brasília CNBB, 2008.
CONCÍLIO VATICANO II. Dei Verbum: sobre a revelação divina. Petrópolis: Vozes, 1966.
NERI, Irmão. Animação bíblica da pastoral. Vida pastoral, São Paulo, Paulus, n. 280, set./out. de 2011.
CRB, A leitura orante da Biblia. São Paulo: Loyola, 1992.
Faculdade de Teologia e Ciências Humanas – Itepa Faculdades
R. Senador Pinheiro, 350
99070-220 – Passo Fundo – RS
(54) 3045 6272
Há vários fatores que influenciam a resposta que damos às ações que são exercidas em nossa vida. Muitos agem por instinto, sem muito pensar ou amadurecer sobre a questão. Outros agem mais racionalmente. Há, ainda, aqueles que respondem mais afetivamente, visceralmente. Mas em todas essas respostas a força do estímulo é fundamental. Afinal, o que é o estímulo?
O dicionário Houaiss nos diz que estímulo é “a ponta aguda de objeto que pica; aguilhada, aguilhão, pua”. No seu sentido figurado, “é aquilo que estimula, que anima, que incita à atividade, à realização de algo”. Quanto ao sentido psicológico, “é parte do mundo exterior de complexidade variável, cuja mudança qualitativa e/ou quantitativa gera reações correspondentes, proporcionais aos graus e tipos desta mudança, e capazes de serem distinguidas quanto à qualidade e quantidade”.
Precisamos ser estimulados para que possamos responder satisfatoriamente aos desafios que nos são propostos, seja na educação, nas relações familiares, sociais, eclesiais... Em tudo aquilo que somos chamados a realizar, nós o realizamos bem se estivermos bem estimulados. E este estímulo pode ser de várias ordens, mas convém que seja moralmente adequado. A pessoa não pode se enveredar pelos caminhos da política, da medicina, do direito, ou de qualquer outra área só por questão de dinheiro. Não é esse o estímulo que lhe seja adequado. Mas, antes, sua realização pessoal precisa ser na dimensão do colocar-se a serviço do bem comum, realizando bem sua missão.
Arthur Pougin nos conta, em sua obra Vita aneddotica di Verdi, que o grande músico passou por uma situação muito difícil em sua vida. Após alguns sucessos iniciais, o jovem músico conseguira um contrato com o teatro Scala di Milano para a produção de três óperas. Enquanto trabalhava na sua segunda ópera, perdera sua jovem e amada esposa, depois de ter já perdido seu casal de filhos, num período de apenas dois anos. Foi nesse clima de luto que finalizou sua segunda ópera do contrato. Sua apresentação foi um fiasco. Tudo isso levou o músico a uma profunda crise, beirando à depressão profunda. Vendeu seus poucos bens e pediu rescisão de seu contrato a Morelli, seu amigo e diretor do Scala. Depois de insistir com o amigo, Morelli o liberou de seu encargo, deixando-o à vontade para voltar quando quisesse. Verdi refugiou-se numa pequena cidade, onde seu sogro residia.
Em poucos meses o músico não conseguia viver mais naquela cidade. Ele estava acostumado com o glamour de Milão. Voltou ali e se ocupava em realizar pequenos trabalhos, mas convencido a não mais compor óperas. Morelli, que bem conhecia seu amigo, solicitou a Verdi que fizesse uma avaliação de um libreto de Solera. Amigavelmente, e sem pretensões trabalhistas e financeiras, ele aceitou e levou o libreto para sua casa. Começou a lê-lo, ficando encantado com a beleza da obra de conteúdo bíblico e percebendo a potência musical daquele texto sobre o Exílio da Babilônia. Passou a noite lendo e traçando alguns ensaios de possíveis partituras. No dia seguinte, apresentou-se a seu amigo dizendo que o libreto seria excelente para ser musicado. Morelli percebeu o entusiasmo do amigo e, conhecendo e confiando em seu genial talento, lhe exigiu que compusesse a música para aquela ópera. Era o estímulo que faltava a Verdi.
Em três meses as partituras estavam prontas e começaram os ensaios. Pougin nos conta que ninguém trabalhava no teatro enquanto aconteciam os ensaios. Todos os funcionários ficavam ali, boquiabertos contemplando a beleza do espetáculo. Em 09.03.1842 estreava a ópera Nabucco, no Scala di Milano, em grande estilo, com grande ovação. Depois da terceira noite de sucesso, Morelli procurou Verdi com um contrato em branco para que compusesse a próxima ópera, dizendo “aquilo que aí escrever, será cumprido”. Depois disso foram compostas grandes óperas, com todo vigor musical: I Lombardi, MacBeth, La Battaglia di Legnano, La forza del destino, Aida, Falstaff....
Na sua profunda crise, Verdi precisou ser estimulado pelo amigo Morelli. Não em termos financeiros, mas a partir daquilo que nutria o músico, que era o gosto pela arte. Precisamos descobrir como estimular as pessoas para que possam oferecer o melhor de si naquilo que fazem.
Pe. Geraldo Maia
Diocese de Uberaba – MG
Doutorando em Teologia Dogmática – Gregoriana, Roma.
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