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A espiritualidade e a oração cristã

A oração é uma das mais variadas formas de cultivar a nossa relação de familiaridade com o próprio Deus Trindade, que é amor. Posso dizer que seja uma conexão segura, cuja senha nós elaboramos, e a partir daí cria-se um vínculo estreito entre ambos. É uma conversa íntima com um verdadeiro amigo que se tem confiança, um diálogo com o Pai que, falando ao nosso coração e escutando os nossos pedidos, nos envia a transformar a nossa própria vida e a de nossos semelhantes. Ela torna-nos ligados a uma fonte, de onde jorra um manancial de graças, a fim de nos comprometermos concretamente com os irmãos e irmãs. É um esvaziamento e discernimento, para um transbordamento do Espírito.

Na vida espiritual, o mais importante é aprender a rezar, transformando a própria vida em oração. A oração nasce da vida e volta para a vida como fermento de esperança e de coragem para enfrentar os desafios que nos são provocados. Ela deve ser vista na perspectiva evangélica do diálogo e seguindo a pedagogia de Jesus, a quem, depois que termina de rezar, os apóstolos pedem: “Mestre, ensina-nos a rezar” (Cf. Lc 11,1).

Segundo Santa Teresa, a oração é a porta que nos introduz no castelo do nosso interior, pois a nossa alma é como um jardim cheio de flores perfumadas onde Cristo gosta de passear, e que precisa ser cultivado e aguado pela oração. Orar é elevar a alma para Deus, em um íntimo diálogo de amor, desabafando o coração, tendo o olhar lançado para o céu, entreter-se com Deus através da criação, da natureza.

Todas essas definições levam-nos a refletir que a centralidade da oração cristã deve ser na perspectiva do próprio Cristo, que nos ensinou um caminho de humildade, do esvaziar-se numa atitude de kénosis, onde se transforma o coração em contato com a realidade vivencial.

Toda a vida de Jesus vai ser pautada sob o viés de rezar a criação, praticar a Palavra, acolher os pequenos e frágeis, olhando para seu Pai em sua relação com Ele, que é Pai e Mãe, ou também em comunidade, no relacionamento pessoal ou comunitário. O seu modo de ser, que é sua espiritualidade, encantava e cativava a todos, pois construía, humanizava muitos, especialmente os que se deixavam contagiar por essa vivência com o Espírito.

Quando os discípulos pediram para que Jesus os ensinasse a rezar, é determinante evidenciar que Ele tinha uma prática constante de oração, era uma oração diferente dos moldes dos Mestres da Lei e fariseus. Jesus louva ao Pai pela louvação do Reino, que é destinado àqueles que se deixam aderir e se abrir para a manifestação desse Reino, que é o Evangelho revelado aos simples. A sua oração era para glorificar o Pai na operação do Espírito. Entrava na intimidade do Projeto do Reino, através da verdade e da unidade, que é a garantia da vida eterna.

A atitude orante de Jesus nos orienta para a centralidade do Reino, que nasce do encontro perfeito de Deus com a humanidade e que se torna uma experiência transformadora da vida. Essa é a proposta do Reino de Deus, que consiste em amar a Ele e servi-lo, que reina no mundo. À medida que o Reino se torna vivo, os caminhos da vida humana serão um espaço de fraternidade, justiça, paz, dignidade humana, é uma revolução do amor e da ternura.

Os desafios são muitos, pois somos abarcados e arraigados por uma cultura do barulho, da inquietação, do desconforto, do descartável, do imediatismo, da prosperidade e muitas dessas atitudes humanas vão esfriando a nossa vida de intimidade espiritual com o Senhor, tornando indiferente à nossa relação com Deus, com os irmãos e irmãs, com a natureza e até conosco mesmos. A nossa atitude é remar contra a maré de todas essas ações que vão transformando e até deteriorando o essencial da nossa vivência de oração, com uma postura perseverante e verdadeira diante da vida espiritual que nos é dada para cultivar.

Para a Igreja, os desafios também são uma tarefa primordial, pois ela é quem nos deve ajudar a contemplar e a intensificar a nossa vida de oração, arraigada na fé de seu povo. A Igreja deve nos ajudar a rezar com o povo, rezar a vida do povo na radicalidade do Evangelho. Jesus fez uma experiência de Deus que o transforma e o faz viver, buscando uma vida mais digna, amável e feliz para todos. Essa deve ser também a atitude de nós como Igreja, templos vivos de Deus no Espírito.

Enfim, cultivar a oração cristã nos dias atuais, é conscientizar-nos da missão que o próprio Cristo nos garante e a nossa vinculação ao projeto do Reino, na participação da filiação divina. É deixar que a oração seja um meio autêntico de alteridade e não de autorreferencialidade, como o Filho Jesus rezava, e não como a oração dos Mestres da Lei e fariseus.

Diácono Joule Windson Cunha Santos

Pós-graduando em Espiritualidade pela Itepa Faculdades

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